tirando leite de pedro.

monstros à caminho

quero tentar condensar os últimos encontros nesse relato. a escrita diária é desafio, mas mesmo com as ausências, faz sentido manter alguma frequência. o foco é manter o dia-a-dia, pra não perder de vista.

acontece que nos últimos encontros, quarta, segunda e hoje, sempre estamos manejando exercícios que passam pela apreensão das noções básicas de ritmo. dentro disso estamos trabalhando prontidão, atenção, precisão. jogamos bolinhas de tênis, dançamos beyonce marcando um quadrado, experimentamos dançar em roda um passinho simples, tudo na tentativa de melhoramos o que talvez seja, nesse primeiro momento, uma possível ausência da turma: a técnica.

mas existe um caminho que estamos percorrendo. a técnica me parece ser uma das buscas e essa qualidade, só vem com a repetição. lembro de certa vez ouvir de narciso que a repetição é mesmo um mito, porque nunca se faz a mesma coisa igual a feita anteriormente. na mesma medida em que um homem não se banha no mesmo rio duas vezes. o desenvolvimento se dá com a repetição e é preciso ter paciência: consigo e com o outro. então é preciso lidar de uma outra forma com o repetir. é repetir, mas é novo. se está mais cansado, mais ativo, mais preparado, não há nada a perder repetindo e refazendo e errando e repetindo. é do ofício.

geometria é parte da coisa. para além da circular, tão cativa ao fazer teatral, aqui usamos outras formas de roda. quadrados, retângulos, triângulos e até losangos já apareceram por aqui. whander reforça sempre a importância de utilizarmos conhecimentos que podem ser tidos como desnecessários para a arte, toda a gama de conhecimentos diversos das ciências exatas, por exemplo. cálculos e lógica é parte fundamental do trabalho da atuação e o mais complexo disso é que isso precisa estar no corpo, no movimento. é preciso que haja um rigor e talvez pensando assim a gente consiga algum amparo na frieza das retas e dos números.

mara pediu para que selecionássemos palavras daquele primeiro exercício, relativo aos desejos da turma, para uma exercício de improvisação com essas corporeidades:

criança-adulto-idoso-monstro.

criar corporeidades partindo dessa suposta monstruosidade, usando das palavras como texto criativo. o que quero é criar espaço para que a minha criação seja o mais direta possível, sem grandes firulas. acredito que nesse momento de improvisação, mais elementar mesmo, se deixar pelo instinto é potência. conforme o tempo, a gente limpa as aparas.

o que há uma preocupação nesse momento inicial é a escolha do texto. as escolhas passam por brecht, saramago, marcelino freire, silvana ocampo, falk richter, plínio marcos, michel foucault. muita coisa né? quando saí de casa na primeira segunda feira de aula, resolvi que as minhas contribuição seriam complementares as escolhas e propostas que viriam. somos muitos e se cada um quiser apresentar seu desejo como imposição, não tem santo que dê conta. daqui para o fim da semana quero pegar alguma das obras que já foram levantadas e debruçar alguma atenção.

pra terminar a postagem de hoje, breve, deixo aqui uma das músicas que estamos trabalhando para coreografar: megê, de thiago frança e sua charanga em seu belo trabalho nunca não é carnaval. música brasileira instrumental: gostoso demais.